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ventilando pensamentos -ventilando pensamentos

Sobre justiça de gênero

No último dia 30 de março participei de um painel sobre justiça de gênero na EDP São Paulo, empresa de energia de origem portuguesa. O painel aconteceu na quarta edição do evento Sustainability Talks, organizado para o público interno da empresa e, nesse mês, foi dedicado à equidade de gênero no ambiente de trabalho. No painel estávamos eu, a Adriana Carvalho, da ONU Mulheres, a Daniela Cachich, VP de Marketing da Pepsico, Guilherme Valadares, fundador e Diretor de Conteúdo do Papo de Homem e Miguel Setas, CEO da EDP, e a facilitação foi feita pela Fernanda Pires, Diretora de Gestão de Pessoas da EDP.

 

O que eu gostei MUITO:

 

  • discussão com pontos de vistas diversos e muito conteúdo – a conversa rendeu, pôde ser aprofundada e passamos do horário previsto 🙂
  • audiência bem mista, com muitos homens também – sim, muitas vezes eventos sobre gênero atraem quase só mulheres,
  • ver a preocupação genuína do Miguel Setas em promover essa discussão e mais, essa transformação, na cultura da empresa,
  • o ponto de vista de que o machismo não mata só mulheres, também mata homens. Logo, conversas sobre temas complexos nunca são tão simples como parece.

 

Esse ponto de vista foi bem construído no documentário Precisamos falar com os homens, produzido pela ONU Mulheres, Papo de Homem e outras parceiras fodas e confesso que me abriu outras perspectivas sobre como os homens são impactados pelo machismo. Eu costumava dizer que o machismo pode impactar homens negativamente, mas mata mulheres. E, de acordo com alguns cientistas sociais e antropólogos do filme, ele também mata homens – por toda a gama de comportamentos e atitudes esperados “do homem” na sociedade patriarcal.

 

Cada conversa dessas é mais um passo de construção coletiva de novas narrativas de sociedade. Uma sociedade que caiba homens e mulheres, em todos os espectros, sendo quem querem ser e respeitando as pessoas. Uma sociedade diversa e justa. Não sei exatamente qual é o caminho ou como é a chegada (se soubéssemos e não tivéssemos chegado ainda seríamos muito incompetentes, né?!), só que é preciso continuar e escolher boas companhias para a jornada – que é longa – de transformar padrões coletivos construídos ao longo de milhares de anos. Se você conhece projetos interessantes que estão construindo narrativas de uma sociedade justa e diversa, compartilha aqui nos comentários ou me manda um email. Vou adorar conhecer. 🙂

 

Pelas 99% | O oito de março e a greve das mulheres

Após a Marcha das Mulheres* nos Estados Unidos, um grupo de feministas fuderosas (aka Angela Davis, ) publicaram um manifesto no The Guardian (publicado em português no blog da Boitempo), chamando para uma greve mundial das mulheres no próximo dia oito de março.

Particularmente, gostei MUITO do chamado e da abordagem.

“Para além do “faça acontecer”: por um feminismo dos 99% e uma greve internacional militante em 8 de março”

O ‘faça acontecer’ é o lema do livro da Sheryl Sandberg (Lean In), que convoca as mulheres a construírem suas carreiras e a se empoderarem. Confesso que não li esse livro, então não posso emitir opiniões mais sólidas. O que penso, em uma abordagem bem inicial, é que a inclusão das mulheres na sociedade patriarcal em que vivemos não é uma questão de “faça acontecer”ou, só das mulheres quererem. Individualizar problemas sociais é uma excelente forma de minimizar, abafar e desqualificar a existência do problema que atinge um coletivo. Para a grande maioria das mulheres, não é questão de querer ou de fazer acontecer. A questão para as 99% das mulheres é mais embaixo: as estruturas da sociedade foram desenhadas para a exclusão sistemática dessas mulheres de uma sociedade de direitos. As estruturas da sociedade patriarcal foram desenhadas para a exploração dessas mulheres – de seus corpos, suas sexualidades e do seu trabalho (como me ensinou a Larissa Costa, jornalista do Brasil de Fato e estudiosa do tema Capitalismo e Patriarcado).

Logo, se queremos falar de justiça de gênero, temos que falar de justiça para 99% das mulheres cujos direitos e oportunidades são sistematicamente negados. É desumano e perverso esperar que essas mulheres, que são a maioria da população mundial, tenham que tratar a luta por seus direitos básicos como algo individual, como uma luta a ser travada só.

Essa luta, como maravilhosamente bem colocado pelas autoras do manifesto, também não é uma luta apenas pelo feminismo de quem já tem direitos e oportunidades minimamente garantidos pela sociedade.

“Sua perspectiva informa a nossa determinação de opormo-nos aos ataques institucionais, políticos, culturais e econômicos contra mulheres muçulmanas e migrantes, contra as mulheres de cor e as mulheres trabalhadoras e desempregadas, contra mulheres lésbicas, gênero não-binário e trans-mulheres.

As marchas de mulheres de 21 de janeiro mostraram que nos Estados Unidos também um novo movimento feminista pode estar em construção. É importante não perder impulso. Juntemo-nos em 8 de março para fazer greves, atos, marchas e protestos. Usemos a ocasião deste dia internacional de ação para acertar as contas com o feminismo do ‘faça acontecer’ e construir em seu lugar um feminismo para os 99%, um feminismo de base, anticapitalista; um feminismo solidário com as trabalhadoras, suas famílias e aliados em todo o mundo.”

Essa é uma luta de todas as pessoas que se importam com uma sociedade justa. Inclusive – e porque não, principalmente – das pessoas privilegiadas** por esse sistema.

No Brasil, vários movimentos de mulheres estão se unindo para organizar o dia 08 de Março. Acompanhe pela #ParadaBrasileiradeMulheres ou por essa página no Facebook.

Algumas sugestões de participação estão sendo compartilhadas online, entre elas:

“Convocamos as mulheres brasileiras a aderir a Parada Internacional das Mulheres no dia 8 de março de 2017. A Parada Internacional de Mulheres é um movimento formado por mulheres de partes diferentes do mundo. Foi inspirado na Polônia e na Argentina e criado nas últimas semanas de outubro de 2016 por mulheres de vários países como resposta a atual violência social, legal, política, moral e verbal experimentada pelas mulheres atuais em diversas latitudes.

COMO VAMOS PARAR?

Sugerimos diversas formas de protestar no dia 8 de março
💡Parada total, no trabalho ou nas tarefas domésticas e nos papeis sociais como cuidadoras durante a jornada completa.
💡Parada de tempo parcial da produção/trabalho por uma ou duas horas
💡Apitaço no horário do almoço ( convide as colegas para as 12:30 ou no horário possível do seu local de trabalho para realizar um apitaço).
💡Caso não possa parar em seu trabalho: use elementos roxos na vestimenta, como fitas ou qualquer elemento que decida usar.
💡Coloquem panos roxos nos carros e nas casas.
💡Boicote locais misóginos
💡Não compre nada neste dia
💡Bloqueie caminho e ruas
💡Participem e organizem manifestações, piquetes e marchas nas suas cidades
💡Instale mensagem automática de “fora do escritório” no email e explique o porquê
💡Participe do twitaço as 12:30 do dia 8 de março #8m #8mbrasil #paradabrasileirademulheres #euparo
💡Grave vídeos de toda a intervenção que fizerem no 8 de março com a hastangs
#8m #8mbrasil #paradabrasileirademulheres #euparo
💡Convide outras mulheres e organizem formas criativas de adesão a Parada Brasileira de Mulheres
💡Mude a foto de perfil https://twibbon.com/support/parada-de-mulheres-8m-br ”


*Vale assistir/ler o discurso da Angela Davis na Marcha das Mulheres:

“Esta é uma Marcha das Mulheres e ela representa a promessa de um feminismo contra o pernicioso poder da violência do Estado. E um feminismo inclusivo e interseccional que convoca todos nós a resistência contra o racismo, a islamofobia, ao anti-semitismo, a misoginia e a exploração capitalista.”

**Eu me reconheço como parte do 1% das mulheres: privilegiada, uma mulher branca, nascida em família de classe média alta, com uma estrutura familiar de apoio, afeto e segurança, pude morar fora do Brasil, estudar outra língua – pude até me dar ao luxo de empreender enquanto ainda morava com meu pai.

 

 

 

Sobre o ano que passou e o que vem por aí

2016 não passou desapercebido pra ninguém. Foi um ano intenso: política, social e profissionalmente. No Brasil, teve golpe, no Reino (des)Unido, Brexit, nos Estados Unidos, Trump. No trabalho, Austrália, Equador, Inglaterra, India, time crescendo, muitos aprendizados e os famosos cinco anos em um que bem me avisaram antes de eu entrar na ThoughtWorks. No vendaval de emoções, deixei de escrever por aqui. 

 

Agora, passada a época de promessas de ano novo, posso dizer que continuo querendo postar mais. Pra isso, sei que precisarei ser menos perfeccionista, o que também é um bom desafio de ano novo.

 

Enquanto o meteoro não chega, seguimos na luta e trocando ideias sobre o novo mundo que vamos parir (que merece mais atenção do que esse mundo infame em que vivemos).

“Vivemos num mundo infame, eu diria.
Não é muito confortante, mas é isso.
Um mundo mal nascido.
Mas existe outro mundo na barriga deste.
Esperando.
Que é um mundo diferente.
Diferente e de parto complicado.
Não é fácil, o nascimento.
Mas com certeza pulsa no mundo que estamos.
Um mundo que pode ser pulsando no mundo que é.
Me perguntam: o que vai acontecer? E depois?
Eu respondo: nada.
Nada.
Não sei o que vai acontecer.
E tampouco me importa o que vai acontecer.
Me importa o que está acontecendo.
Me importa o tempo que é.
Há um outro mundo que nos espera.
Esse mundo de merda está grávido de um outro mundo.”

Eduardo Galeano, 24/5/2011, Praça de Catalunya – Espanha

 

Respeite as mina tudo 

Ontem estava em uma loja, vi essa blusa e quis muito! 

Peguei por engano três tamanhos diferentes e fui ao provador. Chegando lá, deixei dois tamanhos do lado de fora e levei um para dentro da cabine para experimentar. Escolhi a primeira cabine, bem perto da entrada e enquanto experimentava ouvia as conversas do lado de fora. Alguns segundos depois que entrei ouvi duas mulheres conversando  sobre as blusas que deixei do lado de fora. 

“Respeite as mina, as mona, as mana. . .”,  leu uma delas pausadamente. “Isso deve ser coisa de lésbica, né ? ” , completou a mesma que leu a frase. “Ah é , coisa de sapatão. . . ” , respondeu a outra. “Coisa de gay” , concluíram. 

Eu, ouvindo tudo de dentro da cabine, tive o ímpeto de sair para conversar com as duas moças, mas percebi que precisava terminar de me vestir antes. E quando saí já não pude identificar quem eram. 

As mina, as mona e as mana, independente de serem mulheres lésbicas ou mulheres trans, são mulheres. Todas merecem respeito e a luta pelo respeito a todas as mulheres é de todas e todos nós. Não é coisa de gay ou de sapatão. Assim como a luta pelos direitos de todos os grupos minorizados, que não é responsabilidade apenas das pessoas que tem seus direito oprimidos. 

Respeite as mina, as mona, as mana. Respeito é pra geral. 

Noisinho no Como Será

O Noisinho da Silva, projeto que admiro demais da conta de inclusão de pessoas com dEficiência pelo design, será um dos projetos premiados pelo Criança Esperança em 2017. Veja matéria do Como Será de 16/07/16 falando mais sobre o Noisinho aqui.

[Fichamento] La ofensiva del capital y el ocaso del progresismo en el Mercosur

Este post contém trechos (traduzidos livremente) do texto La ofensiva del capital y el ocaso del progresismo en el Mercosur, de Antonio Elías, publicado nos Cadernos do Pensamento Crítico Latinoamericano | número 34 | Maio de 2016 | Segunda Época.

“El capitalismo se puede sostener, pero la tragedia humana va a ser peor. El capitalismo de mañana necesariamente va a ser peor que el de hoy. No hay una predestinación a su desaparición, para ello se requiere una intervención consciente de la humanidad a través de los movimientos sociales y políticos.” Reinaldo Carcanholo

PROBLEMATIZAÇÃO

O texto de Antonio Elias problematiza as seguintes questões: qual deveria ser a inserção internacional dos países que hoje integram o Mercosul?, e para onde a interação entre os governos dos países membros do Mercosul está direcionando esses países?

Percurso histórico: a ofensiva do capital transnacional

  —> 1a. Fase: Anos 1970 a meados de 1980 | modelo de acumulação de capital  | redução ao mínimo dos estados de bem-estar do continentes | governos autoritários para destruir a capacidade de resistência dos trabalhadores e das forças políticas que os representavam | redução do salário real, baixa dos impostos do capital, abertura das economias de forma unilateral, liberalização de fluxos financeiros.
  —> 2a. Fase:  Meados de 1980 aos anos finais de 1990 | ditaduras depostas no marco da crise da dívida externa | as políticas econômicas implementadas por governos democráticos tem por referência o Consenso de Washington | modelo econômico neoclássico, com clara orientação de mercado com abertura externa, assumindo a teoria das vantagens comparativas pela qual o livre mercado levaria à convergência das economias.
—> 3a. Fase: início do século vinte e um | reformas institucionais de segunda geração, buscando viabilizar os objetivos do Consenso de Washington (não realizados na década anterior) | busca-se estabilidade econômica dando-se autonomia aos Bancos Centrais
  —> 4a. Fase: década de 2010 | a crise nos países centrais não deteve a ofensiva do capital através da penetração das empresas transnacionais na maioria dos mercados do continente americano | por meio de novos tratados multilaterais (Acordo Transpacífico de Cooperação Econômica, TPP; Associação Transatlântica de Comércio e Investimento, TTIP; Trade in Services Agreement, TiSA) os Estados Unidos buscam consolidar seu modelo de acumulação e garantir os mercados de suas principais áreas de influência, ao mesmo tempo em que tentam frear o avanço de China e Rússia.

O MERCOSUL E SUAS LIMITAÇÕES

  • Tratado de Assunção (26/03/1991): extensão ao plano regional de estratégias de abertura, monetaristas e anti-estadistas vigentes nos países signatários.
  • Protocolo Complementar (dezembro de 1994, em Ouro Preto): união aduaneira imperfeita, que reafirma o compromisso dos Estados Partes do Mercosul de negociar de forma conjunta acordos de natureza comercial com países terceiros ou agrupamentos de países fora da zona do Mercosul.
  • Países com os quais se mantêm acordos vigentes: Chile, Bolívia, México, Peru, Israel, India e Egito.
  • Não há um mercado ampliado efetivo e não se resolveram as grandes assimetrias existentes, as quais se agravaram como consequência, entre outros aspectos, de políticas cambiais contraditórias na região e da falta de coordenação de políticas macroeconômicas.
  • A estrutura institucional é frágil e insuficiente para resolver os múltiplos problemas da integração.
  • Há posições divergentes dos membros no que diz respeito à realização de acordos com a União Europeia.

O PROGRESSISMO COMO ALTERNATIVA

  • O progressismo suge como alternativa aos governos que aplicaram o neoliberalismo do Consenso de Washington.
  • Governos de direita foram incapazes de dar o que prometeram e perderam nas urnas para organizações políticas com fortes raízes na esquerda e uma importante base social nos trabalhadores e povos originais (isso aconteceu na Argentina, Bolívia, Brasil, Equador, Uruguai e Venezuela).
  • Alguns países tentaram atenuar os males do capitalismo sem enfrentá-lo como sistema (Brasil e Uruguai).
  • Na Bolívia, Equador e Venezuela, houve avanços importantes no enfrentamento das empresas transnacionais, restringindo sua capacidade de acumulação.
  • O ALBA-TCP aponta a novas formas de encarar os processos de integração regional, colocando ênfase na colaboração e na complementação política, social e econômica entre nações para avançar em projetos alternativos ao neoliberalismo. Se fundamenta na criação de mecanismos que aproveitam as vantagens da cooperação entre diferentes nações associadas para compensar as assimetrias entre esses países.

 

 

A Biblioteca

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Antes de saber o que era aquele prédio, ele já nos chamou atenção pelas paredes vermelhas com textura. Mais tarde, no free walking tour que fizemos, descobrimos que o prédio abriga a Biblioteca Nacional da Eslovênia e foi projetado pelo arquiteto nascido em Ljubljana Jože Plečnik, cujos trabalhos estão muito presentes na arquitetura da cidade. Plečnik projetou as paredes externas como se fossem um grande e enrugado tapete. Do lado de dentro, projetou uma experiência que reflete a experiência do conhecimento: as pessoas que frequentam a Biblioteca passam pela escuridão da ignorância (na entrada), se esforçam para o conhecimento (subindo uma escadaria) e são iluminadas quando o “alcançam” (no salão principal de livros e de áreas de estudo, rodeado de janelas em seu pé direito alto). Segundo nos disseram, Plečnik acreditava que o caminho do conhecimento não é uma jornada fácil para quem o leva a sério e exige bastante dedicação.

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A cidade e o poeta

O que dizer de uma cidade que tem em sua praça central uma estátua de um poeta? É o que acontece em Ljubljana, onde a estátua de Preseren, o maior poeta da Eslovênia, ocupa a praça central, a mesma da Igreja Rosa, em frente à ponte tripla. Sobre o poeta, uma imagem de uma mulher seminua, representando uma musa inspiradora.

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Preseren escreveu sobre amor e escreveu sobre a Eslovênia. Em um país que demorou a ser reconhecido como tal e onde, por muito tempo, a própria língua não podia ser falada, o seu uso se fez ainda mais importante na construção de uma identidade coletiva.

Assim, além da escultura em local privilegiado do poeta, a cidade comemora, no dia 8 de fevereiro, o Dia de Preseren, ou o Dia da Cultura, quando as pessoas vão até a Praça para ler poesias do poeta (lembrando que nessa época as temperaturas em Ljubljana chegam a ser negativas).

Sim, parece um sonho. Achei lindo. E uma ideia a se espalhar. O dia da poesia. Mais poetas que militares homenageados.

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Precisamos falar sobre a cultura de estupro [Ainda sem nome]

Na última sexta-feira tive a chance de participar de um podcast para falar sobre cultura de estupro. Chegar até lá foi uma grande e feliz coincidência: participo de um grupo chamado Vigilia Feminista e a Maira, que também participa do grupo, disse no grupo mineiro da oportunidade de participarmos desse podcast de um professor dela da PUC Minas, o Caio, e o grupo estava em busca de voluntárias. Me disponibilizei e ao conversar com o Caio, ele me explicou que o foco do podcast era falar de comunicação digital, tópico bem familiar ao podcast do meu irmão. Perguntei ao Caio qual era o nome do podcast e ele disse que se chamava Ainda sem nome –  sim, o mesmo podcast do Felipe, meu irmão. 🙂

Foi uma experiência bacana e, diante dos acontecimentos recentes, fica cada dia mais clara a importância de falarmos e refalarmos, enquanto for necessário, sobre os temas que nos são importantes e sobre as mudanças que queremos e precisamos fazer para uma sociedade mais justa.

Hoje, tomando café numa pousada e conversando com o dono, um senhor de mais de setenta anos, ele criticou o machismo, contando que na certidão de nascimento de sua avó, que nasceu na segunda metade do século dezenove, dizia de seus bisavós: o bisavô, de nome tal, profissão tal e residente na sua propriedade, a bisavó, de nome tal, afazeres caracteristicos de seu sexo (!!!!)  e residente na propriedade do marido. Concordamos, Felipe, Carol, Bruno e eu, com a crítica ao machismo,  ao que o senhor diz que a culpa do machismo é das mulheres, que criam filhos e filhas machistas. 😮

Sim, precisamos falar sobre machismo.

Quem quiser ouvir o podcast, está nesse link aqui: http://www.aindasemno.me/93/.

#estupronuncamais [dia2]

Nossa luta é longa e vai continuar. Contra a cultura de estupro que não está só no estupro, mas em todos os pequenos abusos e violências que nós, mulheres, sofremos no dia a dia. Uma cantada na rua, um comentário maldoso sobre uma mina em rodas de amigos, o questionamento de “que roupa ela estava vestindo” ou de “mas ela estava sozinha?”, um agarro não permitido pela garota que o cara estava ficando, qualquer pensamento ou menção sobre uma mulher “merecer ou não merecer” ser estuprada. Todos esses atos fazem parte de uma cultura de estupro. O adesivo para carros feito com a presidenta eleita, a recepção de Alexandre Frota no Ministério da Educação, o abusivo PL5069, de Eduardo Cunha, que retira os direitos das vítimas de estupro. Todos esses atos constituem a cultura de estupro. E é a ela que dizemos o nosso NÃO. #machistasnãopassarão #estupronuncamais #vigiliafeminista #vigiliafeministaMG #abaixooPL5069

ps: vídeo produzido pelo coletivo de mulheres Vigília Feminista MG. esse foi o vídeo que fizemos hoje, no segundo dia da Vigília Feminista contra a cultura do estupro.