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Arquivo para justiça social - ventilando pensamentosventilando pensamentos

Pelas 99% | O oito de março e a greve das mulheres

Após a Marcha das Mulheres* nos Estados Unidos, um grupo de feministas fuderosas (aka Angela Davis, ) publicaram um manifesto no The Guardian (publicado em português no blog da Boitempo), chamando para uma greve mundial das mulheres no próximo dia oito de março.

Particularmente, gostei MUITO do chamado e da abordagem.

“Para além do “faça acontecer”: por um feminismo dos 99% e uma greve internacional militante em 8 de março”

O ‘faça acontecer’ é o lema do livro da Sheryl Sandberg (Lean In), que convoca as mulheres a construírem suas carreiras e a se empoderarem. Confesso que não li esse livro, então não posso emitir opiniões mais sólidas. O que penso, em uma abordagem bem inicial, é que a inclusão das mulheres na sociedade patriarcal em que vivemos não é uma questão de “faça acontecer”ou, só das mulheres quererem. Individualizar problemas sociais é uma excelente forma de minimizar, abafar e desqualificar a existência do problema que atinge um coletivo. Para a grande maioria das mulheres, não é questão de querer ou de fazer acontecer. A questão para as 99% das mulheres é mais embaixo: as estruturas da sociedade foram desenhadas para a exclusão sistemática dessas mulheres de uma sociedade de direitos. As estruturas da sociedade patriarcal foram desenhadas para a exploração dessas mulheres – de seus corpos, suas sexualidades e do seu trabalho (como me ensinou a Larissa Costa, jornalista do Brasil de Fato e estudiosa do tema Capitalismo e Patriarcado).

Logo, se queremos falar de justiça de gênero, temos que falar de justiça para 99% das mulheres cujos direitos e oportunidades são sistematicamente negados. É desumano e perverso esperar que essas mulheres, que são a maioria da população mundial, tenham que tratar a luta por seus direitos básicos como algo individual, como uma luta a ser travada só.

Essa luta, como maravilhosamente bem colocado pelas autoras do manifesto, também não é uma luta apenas pelo feminismo de quem já tem direitos e oportunidades minimamente garantidos pela sociedade.

“Sua perspectiva informa a nossa determinação de opormo-nos aos ataques institucionais, políticos, culturais e econômicos contra mulheres muçulmanas e migrantes, contra as mulheres de cor e as mulheres trabalhadoras e desempregadas, contra mulheres lésbicas, gênero não-binário e trans-mulheres.

As marchas de mulheres de 21 de janeiro mostraram que nos Estados Unidos também um novo movimento feminista pode estar em construção. É importante não perder impulso. Juntemo-nos em 8 de março para fazer greves, atos, marchas e protestos. Usemos a ocasião deste dia internacional de ação para acertar as contas com o feminismo do ‘faça acontecer’ e construir em seu lugar um feminismo para os 99%, um feminismo de base, anticapitalista; um feminismo solidário com as trabalhadoras, suas famílias e aliados em todo o mundo.”

Essa é uma luta de todas as pessoas que se importam com uma sociedade justa. Inclusive – e porque não, principalmente – das pessoas privilegiadas** por esse sistema.

No Brasil, vários movimentos de mulheres estão se unindo para organizar o dia 08 de Março. Acompanhe pela #ParadaBrasileiradeMulheres ou por essa página no Facebook.

Algumas sugestões de participação estão sendo compartilhadas online, entre elas:

“Convocamos as mulheres brasileiras a aderir a Parada Internacional das Mulheres no dia 8 de março de 2017. A Parada Internacional de Mulheres é um movimento formado por mulheres de partes diferentes do mundo. Foi inspirado na Polônia e na Argentina e criado nas últimas semanas de outubro de 2016 por mulheres de vários países como resposta a atual violência social, legal, política, moral e verbal experimentada pelas mulheres atuais em diversas latitudes.

COMO VAMOS PARAR?

Sugerimos diversas formas de protestar no dia 8 de março
💡Parada total, no trabalho ou nas tarefas domésticas e nos papeis sociais como cuidadoras durante a jornada completa.
💡Parada de tempo parcial da produção/trabalho por uma ou duas horas
💡Apitaço no horário do almoço ( convide as colegas para as 12:30 ou no horário possível do seu local de trabalho para realizar um apitaço).
💡Caso não possa parar em seu trabalho: use elementos roxos na vestimenta, como fitas ou qualquer elemento que decida usar.
💡Coloquem panos roxos nos carros e nas casas.
💡Boicote locais misóginos
💡Não compre nada neste dia
💡Bloqueie caminho e ruas
💡Participem e organizem manifestações, piquetes e marchas nas suas cidades
💡Instale mensagem automática de “fora do escritório” no email e explique o porquê
💡Participe do twitaço as 12:30 do dia 8 de março #8m #8mbrasil #paradabrasileirademulheres #euparo
💡Grave vídeos de toda a intervenção que fizerem no 8 de março com a hastangs
#8m #8mbrasil #paradabrasileirademulheres #euparo
💡Convide outras mulheres e organizem formas criativas de adesão a Parada Brasileira de Mulheres
💡Mude a foto de perfil https://twibbon.com/support/parada-de-mulheres-8m-br ”


*Vale assistir/ler o discurso da Angela Davis na Marcha das Mulheres:

“Esta é uma Marcha das Mulheres e ela representa a promessa de um feminismo contra o pernicioso poder da violência do Estado. E um feminismo inclusivo e interseccional que convoca todos nós a resistência contra o racismo, a islamofobia, ao anti-semitismo, a misoginia e a exploração capitalista.”

**Eu me reconheço como parte do 1% das mulheres: privilegiada, uma mulher branca, nascida em família de classe média alta, com uma estrutura familiar de apoio, afeto e segurança, pude morar fora do Brasil, estudar outra língua – pude até me dar ao luxo de empreender enquanto ainda morava com meu pai.

 

 

 

Precisamos falar sobre a cultura de estupro [Ainda sem nome]

Na última sexta-feira tive a chance de participar de um podcast para falar sobre cultura de estupro. Chegar até lá foi uma grande e feliz coincidência: participo de um grupo chamado Vigilia Feminista e a Maira, que também participa do grupo, disse no grupo mineiro da oportunidade de participarmos desse podcast de um professor dela da PUC Minas, o Caio, e o grupo estava em busca de voluntárias. Me disponibilizei e ao conversar com o Caio, ele me explicou que o foco do podcast era falar de comunicação digital, tópico bem familiar ao podcast do meu irmão. Perguntei ao Caio qual era o nome do podcast e ele disse que se chamava Ainda sem nome –  sim, o mesmo podcast do Felipe, meu irmão. 🙂

Foi uma experiência bacana e, diante dos acontecimentos recentes, fica cada dia mais clara a importância de falarmos e refalarmos, enquanto for necessário, sobre os temas que nos são importantes e sobre as mudanças que queremos e precisamos fazer para uma sociedade mais justa.

Hoje, tomando café numa pousada e conversando com o dono, um senhor de mais de setenta anos, ele criticou o machismo, contando que na certidão de nascimento de sua avó, que nasceu na segunda metade do século dezenove, dizia de seus bisavós: o bisavô, de nome tal, profissão tal e residente na sua propriedade, a bisavó, de nome tal, afazeres caracteristicos de seu sexo (!!!!)  e residente na propriedade do marido. Concordamos, Felipe, Carol, Bruno e eu, com a crítica ao machismo,  ao que o senhor diz que a culpa do machismo é das mulheres, que criam filhos e filhas machistas. 😮

Sim, precisamos falar sobre machismo.

Quem quiser ouvir o podcast, está nesse link aqui: http://www.aindasemno.me/93/.

#estupronuncamais [dia2]

Nossa luta é longa e vai continuar. Contra a cultura de estupro que não está só no estupro, mas em todos os pequenos abusos e violências que nós, mulheres, sofremos no dia a dia. Uma cantada na rua, um comentário maldoso sobre uma mina em rodas de amigos, o questionamento de “que roupa ela estava vestindo” ou de “mas ela estava sozinha?”, um agarro não permitido pela garota que o cara estava ficando, qualquer pensamento ou menção sobre uma mulher “merecer ou não merecer” ser estuprada. Todos esses atos fazem parte de uma cultura de estupro. O adesivo para carros feito com a presidenta eleita, a recepção de Alexandre Frota no Ministério da Educação, o abusivo PL5069, de Eduardo Cunha, que retira os direitos das vítimas de estupro. Todos esses atos constituem a cultura de estupro. E é a ela que dizemos o nosso NÃO. #machistasnãopassarão #estupronuncamais #vigiliafeminista #vigiliafeministaMG #abaixooPL5069

ps: vídeo produzido pelo coletivo de mulheres Vigília Feminista MG. esse foi o vídeo que fizemos hoje, no segundo dia da Vigília Feminista contra a cultura do estupro.

NÃO! #estupronuncamais


em tempos de violência transbordante
de direitos há muito agredidos
re-pe-ti-da-men-te

repetidamente
são os abusos
as opressões
os desrespeitos
que não já não podem mais ser silenciados.

quando um estuprador tem suas opiniões ouvidas
pelo pseudo-ministro da Educação
quando dezenas de homens estupram uma menina
– sim, uma MENINA de 16 anos –
e outras dezenas de homens estupram uma moça
– sim, uma moça chamada Democracia, de 31 anos –
muito se poderia dizer,
mas antes de tudo,
é preciso parar com tanto abuso.

NÃO!

um sonoro NÃO é o que dizemos aos criminosos desrespeitos
ainda tolerados – e naturalizados – nesta sociedade.
dizemos NÃO pois
NÃO toleramos
a intolerância e a omissão
em relação aos direitos
da mulher
sendo estuprados
pisoteados
atropelados
minuto após minuto.

NÃO!

#estupronuncamais

Não!

Um discurso perigoso ronda nossos tempos.
Esgueira-se pelos áridos ares de uma terra cansada,
de pessoas confusas pelo cansaço. (#cansadadeserenganada)

O mesmo discurso contém a mesma narrativa,
nas vozes de pessoas muito mais parecidas do que destoantes.

“Não é que eu quis que tivéssemos chegado aonde chegamos,
mas vamos concordar, é o que temos para hoje”.*

O discurso traz uma aceitação, quase forçada, da atual situação.
[Mesmo que seja uma situação inaceitável, desde muito tempo atrás:

“A fome frente a frente à abastança e o desemprego no mundo são imoralidades e não fatalidades como o reacionarismo apregoa com ares de quem sofre por nada poder fazer” (Paulo Freire)]

Ao mesmo tempo,
simplifica questões complexas
e individualiza problemas sistêmicos.

“Mãos à obra, vamos mudar!!!”*
(pois é fácil assim, só não mudamos até hoje porque não quisemos)

E além disso, é o discurso de vozes que se encontram numa posição confortável até que cheguem dias melhores.

“Portanto sem traumas, vamos buscar dias melhores”*

Como senão bastasse tudo isso, tudo isso, TUDO ISSO, nesses discursos se repetem táticas históricas de dominação e opressão.

“Desculpas mas não vou entrar no mérito, só gostaria de lembrar que…**” (ou seja, não vou entrar no mérito, mas você vai ouvir a minha opinião sobre o tema e ponto final, sem mais discussões!).

O mais curioso é que até agora só vi pessoas muito muito brancas, muito muito privilegiadas usando esse discurso. Porque no privilégio, a pressa é bem mais devagar. Fala-se de objetivos comuns, fala-se de “meu partido é meu país”, como se pudéssemos ignorar que algumas escolhas excluem outras, não há entrelinhas. Não há entrelinhas na falta de diversidade, na falta de representatividade, na omissão, na falta de direitos, na violência, muito menos naquela que se justifica

“quando a outra parte não está disposta ao consenso”.*

Porque a violência não se justifica. E no entanto, já somos tão violentadas/os. Na lama, nas urnas, nas Câmaras, nas propinas, na mídia, nos oligopólios, na merenda. E porque o consenso está longe de ser bom que nem para os lados oprimidos. Se o consenso é a única opção para não haver violência, a violência já está posta e não há debate.

Para nós, mulheres, não há tempo para esperar, nem mais um mês, nem mais um dia, sem fazer parte. Não é mais tempo de termos uma “representante do mundo feminino” no governo para fazer fita. Não é mais tempo de estarmos qualificando ninguém, nenhuma pessoa que seja, como “bela, recatada e do lar”. A população negra do Brasil não pode esperar nem mais um segundo para ter paz, para andar na rua sem medo de ser assassinada pela Polícia, para não ter suas oportunidades determinadas antes mesmo de nascer. Não há tempo, não há paz, não há respeito.

NÃO. Diremos não ao esforços de quem quer minimizar o golpe político que estamos vivendo. E diremos não com tranquilidade, pois não é de hoje que há um discurso tentando dizer que não há o que se fazer, enquanto o sistema continua sendo reproduzido para o benefício de muitos poucos.

“Pois é como algo natural ou quase natural que a ideologia neoliberal se esforça por nos fazer entender a globalização, e não como uma produção histórica. O discurso da globalização que fala em ética esconde, porém, que a sua é a ética do mercado e não a ética universal do ser humano, pela qual devemos lutar bravamente se optamos, na verdade, por um mundo de gente. O discurso da globalização astutamente oculta ou nela busca penumbra a reedição intensificada ao máximo, mesmo que modificada, da medonha malvadez com que o capitalismo aparece na história. O discurso ideológico da globalização procura disfarçar que ela vem reabastecendo a riqueza de uns poucos e verticalizando a pobreza e a miséria de milhões.” (Paulo Freire)

Diremos não a esse discurso, e diremos não repetidas vezes. Vamos repetir até que não seja mais possível ignorar. Porque é preciso se repetir muitas coisas óbvias até que se tornem verdade e uma delas é que uma sociedade justa é possível. É possível, mas têm sido obstruída até hoje pela manutenção de sistemas de dominação que herdamos de nossos colonizadores (e vai saber de quem eles herdaram). E sistemas de dominação são, em si, excludentes. Precisamos de novas narrativas para essa vida social justa, inclusiva e diversa. O discurso que se conforma com o contrário não nos representa e não há mais tempo para esperar.

—-

 

*Trechos retirados de discursos conformistas proliferados nas redes sociais sobre o golpe do Temer e de debates recentes sobre o movimento de estudantes secundaristas em São Paulo.
**Pra quem achou que essa frase não acaba bem, ela não acaba mesmo. Continua assim: “…dos 54 milhões de votos mais da metade foi do grupo que abraçou o processo de impthiment legitimamente constitucional e rito do supremo”. Exatamente assim.
***Os trechos citados de Paulo Freire são da Pedagogia da Autonomia.

A encruzilhada da desigualdade e a política social na América Latina

Compartilho aqui trechos e anotações da segunda leitura da primeira aula do curso da CLACSO. O texto se chama La encrucijada de la desigualdad y la política social en América Latina, escrito por Carlos Barba Solano, e foi publicado no  Diario El País – Blog Contrapuntos, em 20 de abril de 2015.

“A escala global, la concentración creciente del ingreso y del patrimonio en el 1% de la población ha sido explicada por Thomas Piketty (2014) como resultado de la propensión estructural a que las ganancias derivadas de las inversiones financieras (tasa de ganancia del capital) sean mayores que la tasa de crecimiento económico. Esta tendencia que está llevando al reestablecimiento de un capitalismo
patrimonial semejante al que prevaleció hasta antes de la Primera Guerra Mundial.

En los países desarrollados está en juego la posibilidad de preservar una vida en común. El desafío, como señala Rosanvallon (2012), es rehacer el Estado del Bienestar para reconstruir el “interés general”, ante la evidencia de que una sociedad desigual y fracturada es más violenta y enfrenta costos crecientes en materia de salud, educación, vivienda y seguridad social.”

Matrizes geradoras de desigualdade na América Latina, de acordo com Luis Reygadas e Alicia Ziccardi (2010):

  • desigualdades da sociedade agrária -> herdadas da época colonial e da modernização baseada na exportação de bens primários;

” El modelo brasileño, el país más grande y complejo de la región, se basó en acuerdos
entre distintas élites exportadoras (de café, azúcar, caucho, algodón), que
concentraban la propiedad de la tierra, a través de la acción del estado, que facilitó un
auge moderado del sector servicios, procesos de urbanización, instituciones de
bienestar más excluyentes que en el caso argentino, la aparición de un mercado
interno limitado y una fuerte protección de las nacientes industrias. Este modelo se
basó en una concentración extrema de la propiedad de la tierra y en el uso del trabajo
de los antiguos esclavos en condiciones de gran precariedad y exclusión social.”

  • desigualdades da sociedade industrial -> herdadas da época da industrialização voltada para o mercado interno;

“Durante los años cincuenta y sesenta, la CEPAL impulsó la industrialización forzada
de América Latina y le atribuyó un rol central al Estado porque se consideraba que
este proceso requería de una conducción deliberada y que el desarrollo debería
planificarse. (…)  La CEPAL perdió su unidad intelectual e ideológica y muchos de sus miembros la
abandonaron para alimentar las filas de lo que se conocería posteriormente como la
teoría de la dependencia.
(…)

En términos generales, la política social privilegió a los grupos de ingresos medios
(trabajadores industriales, empleados estatales, clases medias) que respaldaban el
proceso de industrialización. Los campesinos, trabajadores urbanos informales y
pueblos indígenas quedaron al margen de las principales instituciones de bienestar.

(…)

En los regímenes de bienestar universalistas, desarrollados en países con escasa población indígena o
afrodescendiente (Argentina, Chile, Uruguay y Costa Rica), hubo una mayor
expansión del empleo formal y mayor cobertura institucional en educación, salud y
seguridad social. Allí se alcanzaron los niveles más altos de protección pública y de
ampliación de la ciudadanía social.

En México o Brasil, los países y las economías más grandes de la región, se
instituyeron los mismos tipos de sistemas de bienestar, pero tendieron a concentrarse
en las áreas urbanas, dejando a un lado a quienes no participaban en la economía
formal urbana, a los campesinos y a una gran variedad de grupos indígenas o de
descendientes afro-latinos, quienes constituían una parte significativa de la población
total. Por eso se les caracteriza como regímenes duales.

En la mayoría de los países de América Central y de la América Andina, con población
indígena muy numerosa, los regímenes fueron excluyentes. El Estado tuvo un muy
pobre desarrollo institucional y benefició solamente a pequeñas oligarquías. Por ello,
los principales recursos de los pobres para hacer frente a los riesgos sociales fueron
sus familias y redes comunitarias.”

  • desigualdades da sociedade pós-industrial -> herdadas do momento atual de intensa globalização econômica

” Esas crisis, los procesos de ajuste y restructuración económica, encaminados a
sustituir el modelo ISI por un modelo orientado a las exportaciones, produjeron un gran
desempleo, subempleo y la expansión del trabajo informal.

(…)
Inicialmente la pobreza fue considerada un costo social, producto de los procesos de
estabilización y ajuste que siguieron a la crisis de 1982 encaminados a reorientar las
economías nacionales hacia el mercado mundial. Más tarde fue concebida como una
externalidad del mercado que debía corregirse.

A partir de los años 80, a los indígenas, los campesinos y los descendientes afrolatinos, que constituían el núcleo duro de la pobreza estructural, se sumó un nuevo tipo de pobres: los sectores medios que perdieron cobertura de seguridad social debido a una crisis de empleo.”

Anos 80 -> criação dos Fundos de Investimento Social, apoiados pelo Banco Mundial e pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento, classificados por Barba Solano como temporais, compensatórios e de baixa qualidade. Eles afirmam que “fracassaram porque seu foco não foi rigoroso, foram clientelistas e se conduziam com grande opacidade”.

Anos 90-> início dos Programas de Transferência de Renda Condicionada -> Bolsa Família no Brasil (2013 atendia 32 milhões de pessoas) e Oportunidades, no México (em 2013 atendia 58 milhões de pessoas).
-> até 2013, estavam em 19 países da América Latina, atendendo 127 milhões de pessoas.  Segundo o autor, esses programas foram avaliados favoravelmente e lograram a incorporação de milhões de pobres em esquemas de proteção social de baixa qualidade.

” Su principal objetivo es impedir la reproducción intergeneracional de la pobreza, al menor costo posible. Fueron diseñados para impulsar que los hijos de las familias pobres utilizaran los servicios públicos de educación y la salud, para que pudieran adquirir capital humano suficiente para aprovechar las oportunidades de empleo o ingreso que supuestamente son generadas por el mercado.”

Ao fim dos anos 90, o resultado das novas políticas foram medíocres, com baixo crescimento econômico e moderada diminuição da pobreza (CEPAL, 2001).

Segundo Quenan e Velut (2014), entre 2003 e 2008 a América Latina experimenta uma fase de forte crescimento econômico, devido à exportação de matérias primas em um contexto de estabilidade de preços:

  • Argentina: soja
  • Brasil: soja, cana de açúcar, bauxita, estanho, hidrocarbonetos (gás natural e petróleo)
  • Bolívia, Equador, México e Venezuela: hidrocarbonetos (gás natural e petróleo)
  • Chile: cobre e lítio

“Predomina ahora la tendencia a la re-primarización de las grandes economías
latinoamericanas, con la excepción de México donde las exportaciones de productos
manufacturados constituyen el 73.5% del total. Sin embargo, la coyuntura económica
favorable parece haber llegado a su fin debido a las crisis de 2007-2008 y de 2011 y
2012, así como a la caída de los precios de las materias primas en 2008-2009 y la de
los precios del petróleo de 2014.”

Durante a fase de crescimento, as classes médias latino-americanas se recuperaram, mas, assim como aquelas europeias, enfrentam uma incerteza crescente.

” Esta vulnerabilidad ha llevado a una mayor agencia de esos sectores que demandan al Estado: protección, regulación económica, seguridad social; también ha impulsado giros electorales hacia la izquierda en varios países (a escala local y nacional) y ha puesto nuevamente el tema de la reducción de la desigualdad en la agenda social.
(…)
A diferencia de lo que ocurre en los países desarrollados, la tarea no es rehacer los estados de bienestar desgarrados, sino terminar de construirlos con escasos recursos y con un instrumental híbrido. Como señalan Luis Reygadas y Fernando Filgueira (2011) y también Barba y Valencia (2014) las políticas sociales incluyen tanto programas de corte liberal, como las TMC, reformas liberales a los sistemas de pensiones, cuasi mercados de servicios sociales, mercados laborales liberalizados; como políticas social- demócratas como sistemas unificados de salud, ampliaciones a los derechos laborales y sociales, promoción del desarrollo, pensiones solidarias, reformas fiscales progresivas y asistencia social fundada en derechos.

No obstante, el resurgimiento de una agenda universalista define un panorama lleno de claro-oscuros. Reducción de la pobreza nacional e inclusión de los más pobres en esquemas de protección, pero no la reducción de la pobreza rural. Datos de CEPAL (2012) indican que en 2002 el 44% de la población se ubicaba en la pobreza, para 2008 ese porcentaje había bajado a 33%; pero en 2011 la pobreza rural alcanzaba aún al 50% de la población (mientras la pobreza urbana comprendía al 24%). En los países donde se produjeron giros a la izquierda la reducción fue aún mayor, en Uruguay, Argentina, Costa Rica y Brasil la pobreza nacional se sitúo por debajo del 28% de la población.

De acordo com a CEPAL (2015):

-> Houve diminuição da concentração de renda e do Índice de GINI (entre 1990 e 2012), porém, a desigualdade continua muito alta em países como Argentina (0.501 a 0.475) e Venezuela (0.471 a 0.407) e extrema no Brasil (0.627 a 0.567). No Uruguai, o Índice de GINI passou de 0.492 a 0.383 no mesmo período.

-> O acesso à educação aumentou consideravelmente nesses países, mas se mantiveram brechas muito grandes entre os jovens pobres e ricos.

” En 2012 mientras el 83% de los jóvenes de 20 a 24 años del 20% más rico de la población había concluido la enseñanza secundaria, sólo el 33% del 20% más pobre había logrado el mismo nivel de escolarización.”

As considerações finais do autor, Carlos Barba Solano, aponta para três temas que continuam pendentes na América Latina, nesta “encruzilhada de desigualdades históricas, persistentes e inerciais e de outras novas, globais e dinâmicas”:

(1) el viejo tema de la reforma fiscal para asegurar la viabilidad de las políticas
sociales;
(2) el de la integración de los sistemas de protección cada vez más
fragmentados;
y (3) el de la construcción de estados de bienestar que de manera consistente reduzcan tanto las desigualdades sociales heredadas, como las que se han ido agregando al pasar de un modelo económico a otro y que, por otra parte, sean capaces de generar formas de ciudadanía social que permitan una vida en común entre los pobres y los sectores medios, integrados en las mismas instituciones sociales

Pobreza e Desigualdade na América Latina

Trechos do estudo Pobreza e Desigualdade na América Latina, de Gerardo Caetano e Gustavo de Armas,
publicado originalmente no Diario el País – Blog Contrapuntos
, em 30 de março de 2015. Acabei selecionando boa parte do estudo, pois são muito relevantes. 🙂 (sorriso) [Leitura 1 do Curso Internacional América Latina: Cidadania, Direitos e Igualdade, da CLACSO.]

” La concentración de la pobreza en las generaciones más jóvenes es una expresión de las
persistentes inequidades entre grupos de población en el acceso al bienestar y, por lo tanto,
en el ejercicio de sus derechos, particularmente, de sus derechos económicos, sociales y
culturales. Pero este fenómeno también resulta indicativo de la oportunidad que no se está
aprovechando plenamente en un tiempo de bonanza, al menos en América del Sur, de
invertir y sustentar cambios sensibles en la educación pública, en el desarrollo de
capacidades y competencias desde la más temprana infancia y con particular énfasis en las
franjas más vulnerables de la población.

Otra de las expresiones o manifestaciones de inequidad refiere a la condición étnica de los
ciudadanos latinoamericanos. A diferencia de lo que acontece con el clivaje de edad, el
panorama dentro de la región puede resultar variopinto con relación a las brechas entre
indígenas y afrodescendientes, por una parte, y el resto de la población, por otra, con
relación a la incidencia de la pobreza. Empero, en muchos países se observan considerables
asimetrías en perjuicio de los primeros. De acuerdo a datos procesados por CEPAL, en
todos los países de los que se dispone información en sus bases de datos en línea, la
incidencia de la pobreza es mayor en los indígenas que en el resto de la población, en
algunos casos, significativamente más alta (Gráfico 5).

(…)

Tradicionalmente, en América Latina –y en algunas otras regiones del mundo– las personas que residen en las áreas rurales o semiurbanas disponen de menores oportunidades para acceder a ingresos, bienes y servicios. Los datos presentados en el Gráfico 6 muestran la persistencia de esta asimetría o
disparidad entre áreas rurales y urbanas. Al mismo tiempo resulta interesante señalar que
en los países con más bajos niveles de pobreza y, a la vez, mayores índices de urbanización,
se constata una mayor incidencia de la pobreza en las áreas urbanas que en las rurales
(Uruguay y Chile) o, a lo sumo, una relativa paridad entre ambas áreas (Costa Rica).

(…)

Si bien la pobreza sigue teniendo una mayor incidencia en las áreas rurales que en las
urbanas, los países de la región no escapan a la tendencia global a la concentración – al
menos en términos absolutos – de la pobreza en las grandes áreas urbanas. En este sentido,
cabe señalar que la pobreza en las grandes urbes o áreas metropolitanas suele
estar asociada a procesos de segregación residencial y exclusión sociocultural.

(…)

Finalmente, con relación a las inequidades de género, un análisis global de la incidencia que
la pobreza tiene en mujeres y varones no permite observar diferencias de mayor
significación. No obstante, prácticamente en todos los países de América Latina y el Caribe
sobre los cuales se presenta información en el siguiente gráfico, la incidencia de la pobreza
es mayor en las mujeres que en los varones. Desde luego, una apertura por edades o
territorial podría mostrar brechas aún mayores. En cualquier caso, la reducción de las
disparidades laborales entre mujeres y varones (de acceso y salariales), así como de las
disímiles cargas de trabajo no remunerado (el cuidado de niños y adultos mayores), entre
otras brechas que aún deben ser acortadas, sigue siendo una de las llaves para que la
probabilidad de caer en situación de pobreza de ingreso no afecte en mayor grado a las
mujeres.

(…)

Dos líneas de reflexión y una definición prioritaria

Los datos examinados hasta el momento permiten extraer al menos dos conclusiones. En
primer término, luego de varias décadas, América Latina y el Caribe han experimentado en
la última década como región (albergando trayectorias más o menos positivas) un período
favorable, en tanto se han conjugado un crecimiento económico sostenido, una reducción
de la pobreza y la indigencia significativa y un descenso entre moderado y significativo de
la desigualdad en la distribución del ingreso. En segundo lugar, la región sigue
exhibiendo inequidades evidentes en el acceso al bienestar social y, por tanto, en la
probabilidad de caer en situación de pobreza y de indigencia, que merecen especial
atención al momento de formular e implementar políticas públicas destinadas a reducir en
forma significativa la pobreza.
La constatación de estas persistentes disparidades entre niños y adultos, entre quienes
residen en las áreas rurales y quienes viven en las ciudades, entre indigencias y
afrodescendientes y el resto de la población, y entre mujeres y varones (clivaje que también
se reproduce al interior de esos grupos), plantea la necesidad de construir una agenda
integral y renovada de políticas orientadas a superar la pobreza, basada tanto en la mejora
global de los niveles de bienestar de la población como – y quizás en mayor medida – en la
consistente reducción de las desigualdades que aún la fragmentan.”

Especialização Políticas Públicas para a Igualdade na América Latina

Hoje começa oficialmente o Curso Internacional América Latina: Cidadania, Direitos e Igualdade, da Clacso. É um curso presencial acontecendo em Buenos Aires, mas com a possibilidade da modalidade à distância, a qual faz parte da Especialização Políticas Públicas para a Igualdade na América Latina (mais informações aqui). Na medida do possível, compartilharei aqui referências interessantes!

Walter Benjamin afirmava que as grandes lutas não se alimentam tanto dos sonhos de filhos libertos, mas muito mais dos pesadelos dos ancestrais oprimidos.

(…)
Esses projetos de transformação política e social estão sendo ameaçados na região. A derrota eleitoral na Argentina, o impeachment de Dilma Rousseff no Brasil e a profunda crise política enfrentada pela Venezuela evidenciam os enormes desafios democráticos que a América Latina vive hoje, bem
como o surgimento de um novo ciclo de governos neoliberais, agora com uma nova fisionomia, que fará retroceder boa parte das conquistas sociais, politicas e econômicas da última década.”

Trecho do texto de apresentação do curso. Por Pablo Gentili, Florencia Stubrin e Nicolás Arata.

Sobre Spotlight e nós (pessoas)

“Se é preciso uma vila para educar uma criança, é preciso uma vila para molestá-la”. (Mitchell Garabedian, advogado armênio, no filme Spotlight)

Leia mais

Morte? Só dos autos de resistência

Sim, isso é um motivo de comemoração rumo a uma sociedade menos bárbara.

“”A decisão segue uma resolução aprovada pelo Conselho Nacional de Direitos Humanos em 2012, que recomendava que as mortes causadas por agentes de Estado não fossem mais camufladas por termos genéricos como “autos de resistência” ou “resistência seguida de morte”.

“Nós sabemos, inclusive, que as principais vítimas dessas mortes são jovens negros de periferia. A medida então passa a ser mais importante ainda, porque combate o racismo institucional e estrutural e se coloca como um exemplo para as instituições policiais nos Estados da Federação”, afirmou o secretário especial de Direitos Humanos do Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, Rogério Sottili.””

Veja a notícia completa aqui.