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identidades e descontinuidades (breve reflexão sobre um nascimento)

escrever, escrever, escrever. versos para me entender. versos para tornar a vida menos árida. ou tornar a aridez compreensível e palatável. até degustável.

compartilhar, quando já não parecia caber só em mim.
primeiro, um compartilhamento meio escondido, quieto. como se fosse possível gritar sussurrando. gritar sussurrando dentro de um armário.
então, sussurros entre amigas. sussurros que ecoam e reverberam.
na reverberação, um outro sentido. versos para nos entender, versos onde outras também se veem e se entendem.

como num bom processo de descoberta interior, as dúvidas. em abundância. será? será?
será.

de repente, um livro.
sendo que nada é de repente. um livro não é diferente. o primeiro livro, menos ainda. como um bom processo de nascimento, é necessário rearranjar o que já está para que caiba algo mais. dentro de mim, inclusive. é preciso me rearranjar. entender o que me apavora para enfrentar (não sem antes pensar seriamente em fugir).
não fosse a reverberação. e as amigas companheiras, que não me deixam desviar daquela mirada.
amigas materializam sonhos, que é pra eu lembrar do que já é. do que não se pode fugir.

de repente, um livro. que, logo ao nascer, me mostra que por mais que se eternizem palavras, não se eternizam identidades. as várias que vivem aqui comigo. e por mais que se solidifiquem pontos de vista, eles não me resumem. não serão os últimos: versos, arranjos, pontos de vista, identidades. ao materializar um pouco de mim, se atiça a urgência de poder ser outra. de meus pontos de vista poderem ser refrescados e refrescáveis. esquecíveis. reconstruídos. nascidos de novo.

no dia do meu aniversário de trinta e três anos me ligaram da gráfica anunciando que meu livro estava pronto. agora, no dia oito de março, lancei esse livro no mundo, entre amigas e amigos, pessoas companheiras de caminhada. eu, com o corpo quente, peito arfante e sentimentos espevitados, me apaziguei ao chegar lá. nas melhores companhias possíveis, o descontinuidades está na rua.

e eu, agradecida que só, transbordando o amor que recebi de tante gente querida. viva!

<para mais fotos desse dia lindo: https://www.facebook.com/miradapoetica/posts/1691060674306586>