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juntos

necessitamos de uma visão mais coletiva, mas continuamos construindo parâmetros individuais.
muitos dizem que necessitamos uma melhor educação. um melhor governo. pessoas mais bem preparadas.
o mercado de trabalho tem grandes demandas. conhecimentos específicos.
nada parece estar pronto. formações, capacitações, premiações, certificações: seduções.

necessitamos, sem dúvida, de instituições mais modernas. mas as que temos, nos representam.
ou representam nossos bisavós, nossos avós, nossos pais e o que eles foram capazes de construir.
talvez seja esse um dos conflitos de muitos indivíduos do século XXI: não nos reconhecemos naquelas instituições que deveriam nos representar. e, como meninos mimados, queremos outras pra já, agora, rápido. prontas.

mas nada está pronto. e talvez estejamos nos esquecendo que tudo que aqui está foi construído – não brotou por aqui de um dia para o outro.

necessitamos de uma sociedade melhor, eu sinto.
necessitamos de pessoas mais dotadas de propósitos, sonhos e desejos coletivos.
nunca necessitamos tanto de aprender a empatia, aprender a diversão, aprender a diversidade, aprender a inclusão.
e no entanto nas escolas nos ensinam provas (individuais), nos empregos nos ensinam bônus (individuais) e valores corporativos. em massa, só as demissões.

assim, nunca necessitamos tanto de nos reconhecer como educadores ativos, constantes. são tantas coisas para aprender, que precisaremos educadores por todas as partes: amigos, parentes, colegas. necessitamos uma sociedade que seja mais uma SOCIEDADE que um apanhado de pessoas construindo suas vidas individualmente, precisamos nos pôr nos lugares dos vários outros que vivem conosco, e precisamos também que outras pessoas se coloquem em nosso lugar, tão pequeno, mas tão significante em nosso âmbito de ação. precisamos de menos etiquetas, menos julgamentos e menos opiniões – velhas! – formadas sobre tudo.

no entanto, continuamos a proliferar velhos símbolos, velhas recompensas. velhas formas de viver, velhos modos de relacionamento, velhos jeitos de ensinar, de reconhecer, de vigiar e punir. seleções individuais. prêmios individuais. concursos por UM vencedor. como se na natureza fosse mesmo possível se chegar a algum lugar sozinho. como se UM vencedor fosse resolver sozinho os problemas que precisamos encarar juntos. nada está pronto.

não precisamos reproduzir o que não serve mais pela ilusória segurança de se ter algo pronto. quando vamos entender o nosso papel na construção dessa nova sociedade? uma que represente de fato o século vinte e um, com todos os recursos e conhecimentos que temos disponíveis? será que a empatia deverá ser vendida caro, cobrada em provas e com direito à certificação para entendermos o valor de ver – e viver com – o outro? de vivermos juntos?