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A diversidade…

Em sua coluna publicada no Estado de S. Paulo no dia 22/02/15, intitulada “A felicidade, que piada!”, Mario Vargas Llosa fala do caráter individual e privado da felicidade, colocando a impossibilidade de se falar de um país “feliz”. Ao falar do caso da Dinamarca, que segundo uma pesquisa realizada no mundo inteiro foi considerada o país mais feliz do planeta, Vargas Llosa coloca que a Dinamarca é, sim, “um dos países mais civilizados do mundo em razão do funcionamento exemplar da sua democracia”. Um país onde a distância entre os mais ricos e os mais pobres não é abissal, e onde há um empenho duplo em relação aos imigrantes: seja de integração dos imigrantes, seja de respeito aos seus hábitos e crenças.

E, falando de imigrantes, o autor nos recorda do último ataque terrorista ocorrido em Copenhague por um jovem de origem palestina, mas nascido e criado na Dinamarca. Tudo muito bem colocado e com bastante sentido, a meu ver, até o momento em que, num ímpeto de valorização regional no mais legítimo espírito “nós contra eles”, Vargas Llosa exalta o chamado Ocidente em detrimento do chamado Oriente.

“O Ocidente democrático e liberal, que deixou de considerar a mulher um ser inferior e um objeto nas mãos do homem, que separou a religião do Estado, que respeita a crítica e a dissidência e pratica a tolerância e a coexistência na diversidade (…).”

Muito bonito o desejo, mas ainda tão distante da realidade… Gostaria de viver nesse ocidente de Mario Vargas Llosa. Ainda que tenhamos avançado muito em nossas democracias, nos falta muito para praticamos a ‘coexistência na diversidade’. Basta ver o número de jovens negros e pobres assassinados todos os dias nas grandes cidades brasileiras, a forma como pessoas com deficiência física são recebidas e tratadas em ambientes públicos e de trabalho ou estudo, a agressividade com que se lida com quem pensa diferente, nasceu em condição social diferente e por aí vai.

A diversidade continua um desejo utópico, longínquo, o qual não podemos deixar de buscar: a coexistência na diversidade, até a diversidade ser parte de nosso ethos.