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Empreender é transformar - ventilando pensamentosventilando pensamentos

Empreender é transformar

Ontem participei do evento Start up Talks organizado pelo Sebrae e pelo Centro Newton de Empreendedorismo, na Faculdade Newton Paiva, em BH. Fui convidada pela prof. Isis Boostel para fazer uma palestra sobre start up e geração de impacto social positivo, para os alunos interessados em empreender.

O evento foi dividido em duas partes: três palestras curtas (a minha, seguida pela do Aluir Dias, do TechMall, e por último a do Joaquim Lopes, fundador da 4YouSee) e em seguida um painel com cinco empreendedores da Newton, mediado pela prof. Isis.

Como há várias coisas importantes a serem compartilhadas com quem quer empreender, fiquei satisfeita de poder dedicar meus 20 minutos “apenas” ao aspecto da geração de impactos sociais por meio do empreendedorismo.

Minha reflexão, falando para aqueles 300 alunos que estavam ali buscando inspiração, ideias ou caminhos para empreender, é que antes de falar de empreender uma startup, acho bacana falarmos do que é empreender a nossa vida. Simplificando um pensamento complexo e extenso, entendo hoje que empreender é transformar.

Qual percurso estamos traçando, quais aprendizados temos conquistado e, quando olhamos para trás, quais resultados temos gerado? O que transformamos com a nossa ação?

A gente costuma achar que sozinho não faz muita coisa, mas isso não significa que somos pouco ou que nossa ação é inválida. Eu digo isso pois enquanto estamos perdidos entre fazer ou não fazer, entre nos posicionar ou não, estamos contribuindo para construir uma sociedade de pessoas apáticas, uma sociedade de pessoas que optaram por não transformar o ambiente em que vivem (mesmo sem ter consciência dessa escolha).

Então, atitude  empreendedora para mim começa pela junção de assumir riscos e de se dispor a transformar a sociedade de forma intencional. A gente não tem que saber o caminho, nem por onde começar. As coisas vão sair do que planejamos – felizmente – e a questão que voltará muitas vezes é: pra que é mesmo que eu estou fazendo isso?

O caminho de empreender uma vida, ou seja, olhar para a nossa estrada como um espaço de experimentação, oportunidades e desafios, é emocionante e transformador. Da mesma forma, o mundo que vivemos hoje tem se transformado velozmente. Já podemos falar de Pós Capitalismo, uma nova era que será moldada por relações colaborativas e compartilhadas. Quando falamos de outras formas de relações, precisamos pensar em outras pessoas. Pois, se continuarmos nos moldando na maioria dos empreendedores que existem hoje estaremos repetindo modelos não necessariamente de sucesso. Não precisamos de mais modelos de competição predadora, de busca de sucesso por sucesso, de empresas que usam de trabalho análogo ao escravo para se desenvolverem – ou mesmo de empresas que tradicionalmente não estão focadas no desenvolvimento das potencialidades de seus colaboradores.

Tudo o que precisamos é de estar atentos e abertos a um movimento de transformação que passa obrigatoriamente por nós. Eu sonho e trabalho com uma sociedade que seja para todos. E para cada um. A era em que estamos é o momento que temos para construir uma sociedade justa e para todos. Da mesma forma entendo que o movimento de empreendedorismo deve ser formado por todos e por cada um que queira se enveredar por essa área. E os benefícios das iniciativas empreendedoras só serão alcançados se atingirem a sociedade em sua diversidade. Todos e cada um.

Os negócios que estão sendo geridos hoje podem começar pequenos, gerar um ou dois empregos, atender três ou quatro clientes. Mas se tudo isso estiver sendo feito de forma justa, promovendo o respeito, a diversidade e a inclusão social e quebrando padrões excludentes já tão arraigados na sociedade, cada pequeno negócio vale muito a pena.

E, como toda/o empreendedor/a bem sabe, o caminho é de trabalho, de muita dedicação, suor e muitos questionamentos. Por isso repito, se é para investir, que seja para darmos um passo além do que já foi provado que é possível em direção ao que acreditamos ser essencial. Vamos empreender pensando que toda empresa é formada por pessoas e toda instituição falida é formada também por pessoas que podem estar bem insatisfeitas, mas aprenderam que ali o funcionamento é daquele jeito. As instituições – mesmo as que não gostamos – nos representam. Representam, talvez, uma inabilidade de revirarmos o status quo e construirmos outras formas de fazer.

Vamos construir empresas, organizações, movimentos, coletivos (e o que mais quisermos) que nos representem bem. Que representem a sociedade em que desejamos viver.

Tudo o que fazemos reflete nessa sociedade. Entendendo isso, ao invés de se buscar o sucesso do próprio negócio, empreendedores alinhados podem, em alguns anos, gerar um legado social, um impulso para a transformação da sociedade. 

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Mão mecânica desenvolvida pelo aluno Marley Luciano e exibida no Startup Talks!

 

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