Warning: Declaration of Bootstrap_Walker_Nav_Menu::start_lvl(&$output, $depth) should be compatible with Walker_Nav_Menu::start_lvl(&$output, $depth = 0, $args = Array) in /home/miradapo/public_html/nataliamenhem/wp-content/themes/stanleywp/functions/function-extras.php on line 61
Arquivo para 99% - ventilando pensamentosventilando pensamentos

Pelas 99% | O oito de março e a greve das mulheres

Após a Marcha das Mulheres* nos Estados Unidos, um grupo de feministas fuderosas (aka Angela Davis, ) publicaram um manifesto no The Guardian (publicado em português no blog da Boitempo), chamando para uma greve mundial das mulheres no próximo dia oito de março.

Particularmente, gostei MUITO do chamado e da abordagem.

“Para além do “faça acontecer”: por um feminismo dos 99% e uma greve internacional militante em 8 de março”

O ‘faça acontecer’ é o lema do livro da Sheryl Sandberg (Lean In), que convoca as mulheres a construírem suas carreiras e a se empoderarem. Confesso que não li esse livro, então não posso emitir opiniões mais sólidas. O que penso, em uma abordagem bem inicial, é que a inclusão das mulheres na sociedade patriarcal em que vivemos não é uma questão de “faça acontecer”ou, só das mulheres quererem. Individualizar problemas sociais é uma excelente forma de minimizar, abafar e desqualificar a existência do problema que atinge um coletivo. Para a grande maioria das mulheres, não é questão de querer ou de fazer acontecer. A questão para as 99% das mulheres é mais embaixo: as estruturas da sociedade foram desenhadas para a exclusão sistemática dessas mulheres de uma sociedade de direitos. As estruturas da sociedade patriarcal foram desenhadas para a exploração dessas mulheres – de seus corpos, suas sexualidades e do seu trabalho (como me ensinou a Larissa Costa, jornalista do Brasil de Fato e estudiosa do tema Capitalismo e Patriarcado).

Logo, se queremos falar de justiça de gênero, temos que falar de justiça para 99% das mulheres cujos direitos e oportunidades são sistematicamente negados. É desumano e perverso esperar que essas mulheres, que são a maioria da população mundial, tenham que tratar a luta por seus direitos básicos como algo individual, como uma luta a ser travada só.

Essa luta, como maravilhosamente bem colocado pelas autoras do manifesto, também não é uma luta apenas pelo feminismo de quem já tem direitos e oportunidades minimamente garantidos pela sociedade.

“Sua perspectiva informa a nossa determinação de opormo-nos aos ataques institucionais, políticos, culturais e econômicos contra mulheres muçulmanas e migrantes, contra as mulheres de cor e as mulheres trabalhadoras e desempregadas, contra mulheres lésbicas, gênero não-binário e trans-mulheres.

As marchas de mulheres de 21 de janeiro mostraram que nos Estados Unidos também um novo movimento feminista pode estar em construção. É importante não perder impulso. Juntemo-nos em 8 de março para fazer greves, atos, marchas e protestos. Usemos a ocasião deste dia internacional de ação para acertar as contas com o feminismo do ‘faça acontecer’ e construir em seu lugar um feminismo para os 99%, um feminismo de base, anticapitalista; um feminismo solidário com as trabalhadoras, suas famílias e aliados em todo o mundo.”

Essa é uma luta de todas as pessoas que se importam com uma sociedade justa. Inclusive – e porque não, principalmente – das pessoas privilegiadas** por esse sistema.

No Brasil, vários movimentos de mulheres estão se unindo para organizar o dia 08 de Março. Acompanhe pela #ParadaBrasileiradeMulheres ou por essa página no Facebook.

Algumas sugestões de participação estão sendo compartilhadas online, entre elas:

“Convocamos as mulheres brasileiras a aderir a Parada Internacional das Mulheres no dia 8 de março de 2017. A Parada Internacional de Mulheres é um movimento formado por mulheres de partes diferentes do mundo. Foi inspirado na Polônia e na Argentina e criado nas últimas semanas de outubro de 2016 por mulheres de vários países como resposta a atual violência social, legal, política, moral e verbal experimentada pelas mulheres atuais em diversas latitudes.

COMO VAMOS PARAR?

Sugerimos diversas formas de protestar no dia 8 de março
💡Parada total, no trabalho ou nas tarefas domésticas e nos papeis sociais como cuidadoras durante a jornada completa.
💡Parada de tempo parcial da produção/trabalho por uma ou duas horas
💡Apitaço no horário do almoço ( convide as colegas para as 12:30 ou no horário possível do seu local de trabalho para realizar um apitaço).
💡Caso não possa parar em seu trabalho: use elementos roxos na vestimenta, como fitas ou qualquer elemento que decida usar.
💡Coloquem panos roxos nos carros e nas casas.
💡Boicote locais misóginos
💡Não compre nada neste dia
💡Bloqueie caminho e ruas
💡Participem e organizem manifestações, piquetes e marchas nas suas cidades
💡Instale mensagem automática de “fora do escritório” no email e explique o porquê
💡Participe do twitaço as 12:30 do dia 8 de março #8m #8mbrasil #paradabrasileirademulheres #euparo
💡Grave vídeos de toda a intervenção que fizerem no 8 de março com a hastangs
#8m #8mbrasil #paradabrasileirademulheres #euparo
💡Convide outras mulheres e organizem formas criativas de adesão a Parada Brasileira de Mulheres
💡Mude a foto de perfil https://twibbon.com/support/parada-de-mulheres-8m-br ”


*Vale assistir/ler o discurso da Angela Davis na Marcha das Mulheres:

“Esta é uma Marcha das Mulheres e ela representa a promessa de um feminismo contra o pernicioso poder da violência do Estado. E um feminismo inclusivo e interseccional que convoca todos nós a resistência contra o racismo, a islamofobia, ao anti-semitismo, a misoginia e a exploração capitalista.”

**Eu me reconheço como parte do 1% das mulheres: privilegiada, uma mulher branca, nascida em família de classe média alta, com uma estrutura familiar de apoio, afeto e segurança, pude morar fora do Brasil, estudar outra língua – pude até me dar ao luxo de empreender enquanto ainda morava com meu pai.